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Proteção de Dados e Direito Digital2 de julho de 20266 min de leitura

Inteligência artificial nas empresas: os riscos jurídicos

Adotar IA cria ganhos e responsabilidades. O que considerar em dados, propriedade intelectual e o Marco Legal da IA antes de colocar a tecnologia para rodar.

Principais pontos
  • Usar IA nas empresas envolve riscos jurídicos concretos em proteção de dados, propriedade intelectual, responsabilidade civil e conformidade.
  • O Marco Legal da IA (PL 2338) avança no Congresso com um modelo baseado em risco, que tende a exigir governança e transparência das empresas que adotam a tecnologia.
  • A LGPD já se aplica hoje ao uso de IA que trata dados pessoais, independentemente da futura lei específica.
  • Uma política interna de uso de IA, com regras claras sobre dados e conteúdo, é a medida preventiva mais imediata.

A inteligência artificial saiu do discurso e entrou na operação: atendimento, análise de crédito, recrutamento, geração de conteúdo, apoio à decisão. Junto com os ganhos, ela traz responsabilidades que muitas empresas ainda não mapearam. Adotar IA sem governança é criar exposição jurídica silenciosa — e o momento de estruturá-la é antes, não depois do incidente.

Onde estão os riscos

Os riscos jurídicos da IA nas empresas se concentram em quatro frentes. A primeira é proteção de dados: alimentar ferramentas com dados pessoais sem base legal e sem controle de compartilhamento pode violar a LGPD. A segunda é propriedade intelectual — sobre o conteúdo usado para treinar modelos e sobre a titularidade do que a IA produz. A terceira é responsabilidade civil por decisões automatizadas equivocadas ou discriminatórias. A quarta é conformidade setorial, quando a atividade é regulada.

O que o Marco Legal da IA propõe

O Marco Legal da IA — o PL 2338 — avança no Congresso com um modelo baseado em risco: quanto maior o potencial de dano de um sistema, mais obrigações ele carrega. A proposta caminha para exigir transparência, avaliação de risco, supervisão humana e direitos das pessoas afetadas por decisões automatizadas. Mesmo antes da aprovação, essa lógica já sinaliza o que as empresas precisarão demonstrar: que sabem onde usam IA e como a controlam.

O que fazer antes de adotar IA

  • Mapear os usos: saber onde a IA já é usada na empresa e com quais dados, evitando a adoção informal e invisível.
  • Definir uma política interna: regras claras sobre o que pode e o que não pode ser inserido em ferramentas de IA, sobretudo dados pessoais e sigilosos.
  • Revisar contratos com fornecedores: entender o que o provedor de IA faz com os dados enviados e quais garantias oferece.
  • Manter supervisão humana: decisões relevantes não devem ser delegadas integralmente ao sistema, preservando revisão e responsabilidade.
  • Tratar propriedade intelectual: definir a titularidade do conteúdo gerado e verificar direitos sobre os dados usados.

A conformidade já começou

Esperar o Marco Legal da IA para agir é um erro de leitura: a LGPD, o Código de Defesa do Consumidor e as regras de propriedade intelectual já alcançam o uso de IA hoje. A empresa que estrutura uma governança mínima agora — política de uso, mapeamento e supervisão — não só reduz risco imediato como chega preparada para a lei específica. Adotar IA com responsabilidade é o que permite aproveitar a tecnologia sem transformar inovação em passivo.

Perguntas frequentes

Existe uma lei de inteligência artificial no Brasil?
Ainda não há uma lei geral em vigor, mas o Marco Legal da IA — o PL 2338 — tramita no Congresso com a proposta de um modelo baseado em risco. Enquanto ele não é aprovado, a LGPD, o Código de Defesa do Consumidor e as regras de propriedade intelectual já se aplicam ao uso de IA nas empresas.
Usar IA generativa pode violar a LGPD?
Pode, se dados pessoais forem inseridos ou tratados sem base legal, transparência e segurança adequadas. Inserir dados de clientes ou funcionários em ferramentas de IA sem controle de finalidade e de compartilhamento é um dos riscos mais comuns e evitáveis.
Quem responde por um erro cometido por uma IA?
Em regra, a responsabilidade recai sobre a empresa que usa a ferramenta, não sobre o software. Delegar uma decisão a um sistema não transfere a responsabilidade jurídica pelo resultado, o que torna essencial supervisão humana e critérios de controle.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui parecer ou recomendação jurídica para casos concretos. Para avaliar a sua situação, fale com o escritório.

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